terça-feira, 6 de setembro de 2011

do trivial

quanto já se falou do trivial? e quanto ainda ou nunca se falou do trivial? o que somos enquanto trivialidades? ser é existir? ou ser é ser? quantas questões nos fazemos e quantas outra mais ainda iremos nos fazer. na calada da noite quantos pensamentos monumentais nos cercam, quantas indas e vindas chegam e partem? onde tudo não faz sentido e o nada é resoluto, abismal e mecânico. quantos se curvam aos mistérios do universo e da vida? quantificando o existir e existindo quantificando. pode ser muito à pensar essa hora, 03h da manhã.

o que somos? o que podemos ser? até onde ser e até onde nunca ser? onde no outros nos vemos e onde em nós os outros não enxergam? que parte de nós nunca deixa de pensar e qual parte sempre se cansa a cada rodada de assuntos novos? quantas perguntas mais até o fim dessas frases? nada se resolve. nós criamos mais e mais respostas pra perguntas que ainda nem sabemos. como nós somos esse amontoado de coisas e ainda sim não nos sentimos parte de nada? vagando pela luz, pela escuridão, pelo meio fio da calçada.

quantas partes faltam, quantas faltas partem? as lembranças de cada um, as reflexões, angústias e lampejos de fome. quantas retas dão em nada e quantos nadas são cada vez menos retos. nós. nós. e nós.

pode ser que eu esteja errado, mas somos átomos que sabem demais.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

franquezas e fraquezas

estava lendo essa semana, na verdade relendo pois parei no meio do caminho, um livro do Christopher Hitchens sobre o George Orwell, chamado "A Vitória de Orwell"(em inglês: "Why Orwell Matters"). confesso que sou fã dos dois, mais ainda do segundo. tenho quase todos os livros de orwell e já li boa parte deles avidamente. mas há um momento desse livro do hitchens, assim como boa parte de seus escritos, que ele dá uma guinada a um assunto que pouco tem a ver com o assunto principal. nesse caso, nem tanto, já que ele falava da experiência de orwell na birmânia, a serviço do império britânico.

hitchens falava sobre o ensino de inglês na índia e em colônias britânicas da ásia e como a população dessas antigas colônias dominava bem o inglês apesar da imposição do império. e essa revelação, um tanto quanto óbvia, me fez pensar sobre meus tempos "duros" de faculdade. explico. duros porque lembro da linha dura em que eu e outros amigos tivemos em relação a temas "anglófilos", por assim dizer. sempre fui "fluente" em inglês. não sei se pela influência da cultura norte-americana tão enraizada em meninos de classe média tijucanos ou pela própria facilidade da - já que os tempos verbais e as flexões de palavras são ínfimas - e com a língua - desconfio que genética, já que minha irmã também sofre da "moléstia", sabemos inglês bem sem termos feito curso -, mas sei ler e arrisco volta e meia poucas frases.

nessa época de linha dura, havia uma certa desconfiança e confesso, preconceito da pior espécie referente a tudo que era imperialista - leia-se: viesse em inglês - e que não fosse pró-algo que acreditávamos. não é um tempo muito distante, mas distante em relação ao que penso e vivo hoje. época diferente, como toda época é em relação à qualquer outra. hoje me tornei não um defensor, mas sim um grande admirador da cultura de lingua inglesa em geral. em outros tempos me enforcaria ao pensar que me tornei um defensor do yankismo e do império expurgador de colônias, mas hoje o pensamento lapidado - a duras marretadas - é outro.

como no caso do relato de hitchens, a lingua inglesa se tornou não a lingua do império, mas uma língua franca para os habitantes dessas áreas, que por mais que dominados por séculos de poderio bélico anglófilo, sabiam e falavam a lingua do dominador com mais facilidade do que se ela não fosse imposta. enquanto que o dominador mal sabia os comandos de ordem nas linguas dos dominados. e essa franqueza da lingua nesse relato me fez rever os conceitos que eu e outras pessoas tínhamos em épocas passadas. acho que alguns antigos companheiros ainda preservam esse martírio entre ter feito curso de inglês e não querer seu lacaio de "potências", e até recentemente alguns se dispuseram a aprender outras linguas, digamos periféricas, para exaltar alguma "latinidade" ou simpatia por outros dominados, geograficamente mais perto.

há toda uma cultura rica por trás dos comandos do dominador, toda uma história com raízes e motivos por trás do "do what you're told". e muitas vezes nos enganamos pela superficialidade que muitas de nossas opiniões se baseiam. ao fim da faculdade é que fui descobrir outros autores americanos e ingleses. nas verdade não descobri, mas apenas abri meu espectro de afinidades, até porque não precisa se descobrir huxleys, faulkners e whitmans, uma vez que são textos inerentes à vontades ou birrinhas políticas.

e essa descoberta me veio com certa tardeza, não que aqui digite um ancião, mas queria ter descoberto com menos idade. mas, mais uma vez a época é outra, os autores também. pelo menos posso pensar que hoje os conheço e não tenho muita birra com outros autores, independente de suas linguas. e o saldo final dessa leitura é que muitas vezes perdemos muito por acharmos que uma cadeira não passa de uma cadeira, e que suas quatro pernas dizem muito mais do que achamos.


pode ser que eu esteja errado, mas o dominado muitas vezes não é franco.

terça-feira, 19 de julho de 2011

hoje não

hoje faço 24 anos. curti essa vida ainda que seja uma vida curta. gosto muito dela na mesma medida que ela muitas vezes não vai muito com a minha cara. confesso que hoje sou e não sou a mesma pessoa que há 5 anos atrás, nem a mesma que há 2 anos atrás. a vida mudou, mas eu não mudei nada. mesmo as opiniões mudadas, e olha que elas foram muitas, para mim ainda são as mesmas, mesmo que diferentes. ninguém muda ninguém. e muito menos ninguém se muda. a gente é o que é. "you are what you is", já dizia Zappa.

vejo fotos recetes de companheiros não tão longes de mim e vejo que há um abismo. "the thrill is gone", já dizia King. não sei quem fez a escavação, pode ter sido eu. assumo aqui. mas nada me moveu pior depois disso. não sinto remorso, apenas saudade, o que é bem diferente quando as coisas mudam. você não pode mudar e por isso tem saudade do tempo que as coisas ainda significavam algo. e não há remorso em querer fazer diferente. as coisas mudaram. você nunca mudará. e isso é o ponto chave.

o que ficou na lembrança foram tempos bons, suficientes para o que eram. hoje não mais. hoje não mais são do que passado. vem a lembrança à mente, mas ela não passa disso. de uma lembrança. quem te abandonou e quem você quis abandonar. seja por vontade própria, do outro ou dos rumos que a vida leva. hoje olho pra trás sem remorso, uma ponta de saudade e pensamentos para o futuro. não há mais marlon brando, pocahontas e eu. me sinto cada vez mais só. e não é ruim. só uma constatação. no fim que vai cuidar de você é você mesmo. o ninho já não te cabe, as roupas não mais se passam, as urgências são outras.

cada um constrói o caminho, o seu próprio caminho. sim, a verdade é a maior mentira que existe. cada um tem a sua. de tragos e goles martelo as minhas.

hoje eu não estarei errado, é meu aniversário.

pedro toledo.

domingo, 24 de abril de 2011

marcha lenta

tentaria ser mais produtivo se não fosse o tempo que me falta, justamente por falta de uso. não invoco aqui leis da física ou teorias sobre tecituras. apenas não aproveito bem meu tempo. sei disso. é um fato. gostaria que ele não se consolidasse com tanta frequência. queria não entregar as coisas em cima da hora ou no mínimo com tanto atraso. não culpo aqui minha agenda cheia, mas culpo a mim mesmo. não sei se me faço entender.

me falta tempo porque me falta saco. não consigo seguir uma rotina. acordo cedo tranquilamente, mas com certeza não me verão fazer nada produtivo antes das 10 da manhã. posso em um dia provar a exceção da regra, mas não irá durar uma semana. não sei se posso chamar de preguiça, mas acredito em grande parte ter uma inoperância aguda para as urgências cotidianas. me dê um prazo e nunca vou cumpri-lo. se te falar em datas, estenda-as, há um fuso diferente.

isso tudo atrapalha e ajuda. o porque não sei. talvez até saiba, mas no final preciso ser preguiçoso. sou assim como dizia o desgastado milton santos, um "homem lento". aquele que demora para pensar, para fazer, para executar. e ainda vou ao contrário do que o magistral(sic) acadêmico concluiu: não faço as coisas melhores por isso. não chego a ser um con-artist no sentido mais preciso. talvez possa vir a ser, mas dá muita preguiça. aí que reside o ponto principal da prosa.

adoraria levantar todos os dias e fazer tudo antes do tempo, tudo dentro do programa, tudo sem atraso e tudo sem demora. mas sabe, as coisas não funcionam do jeito que queremos, mas do nosso jeito. difícil entender o quadro torto que aqui se pinta? sim, mais um sintoma da minha falta de saco que se traveste de "capacidade". "mas você está desperdiçando talento!" já me disseram. e pergunto: "qual? o meu? lógico que não." talento nada mais é que uma barra de chocolate ruim com confeitos que a fazem pior. não há como o meu motor intelectual e biológico trabalhar em sua capacidade máxima. não há aceleração suficiente porque entre a marcha do "tenho que fazer essa coisa..." para o "isso tem que estar pronto!" tem a do "vou fazer sem pressa, talvez amanhã".

mas apesar do andar asôfrego da carruagem, acho que no final do dia - ou das coisas - me saio bem. não invoco, repito aqui, uma ode ao ócio criativo - até porque ele só existe para vender livro de sociólogo maçom - mas assumo as "falhas" de ser esse carro que olha a ladeira e inventa de engasgar. não fujo às responsabilidades, apenas estendo seus limites. nunca deixei de fazer algo importante por preguiça, mas já esqueci bastante por inoperância. confesso aqui diante do tribunal vazio, mas também pergunto ao juiz qual parte do dia ele também não se cansa de tudo?

pode ser que eu esteja errado, mas as coisas dão seu jeito.

terça-feira, 22 de março de 2011

apesar dos pesares

lembro de quando eu era muito fã do henry rollins: começo de faculdade, uma pilha de nervos escutando black flag. uma adolescência musical que terminou tarde. eu via de tudo dele. lia artigo, assistia video, baixava dvd e ouvia tudo que ele tinha gravado e esperava ansiosamente por qualquer coisa que ele fizesse, porque seria o máximo.

hoje lendo um artigo sobre ele - e um pouco distante do mito - me lembrei que fora ele fazer aniversário no mesmo dia que a minha mãe, fez 50 anos. 50 anos. não sei bem porque me lembrei de forma tão intensa que o cara que eu idealizava há 5, 6 anos está mais que ficando velho, está velho. há caras assim como lemmy, que tem 65 anos, e que todos sabem que é uma lenda (e das velhas), e que ainda nos assusta com sua idade quando nos faz constatar o que continua fazendo. é difícil ver caras da idade de henry e lemmy escrevendo e falando em profusão e que em nenhum momento te fazem lembrar que no minímo possuem o dobro da sua idade.

mais ou menos ilógica ainda é a comparação que se tem. sim, lemmy é uma figura folclórica: o cowboy galês bebedor de bourbon e coca que mesmo diabético segue a mesma pesada rotina desde os 30 anos. e claro, henry se manteve longe de tudo que lemmy faz, fez ou vai fazer: bebidas, mulheres, jogos. abstêmio, incrivelmente em forma e com um jeito peculiar de evitar as senhoritas que não se encaixam no padrão. agora o que há para se ver em em dois pontos equidistantes de uma mesma galáxia? há uma paixão incansável pela música, uma defesa da solidão profissional e uma visão criticamente responsável do mundo. três das quais compartilho todas. e três das quais se vê um mundo não cada vez mais carente, mas mais rarefeito de lobos fora da matilha. não me equiparo aqui novamente com nenhum dos dois, muito menos idealizo todas suas ações e nem por último estou querendo provocar o levante dos malquistos. mas mais uma vez faço um esforço de leitura que gosto.

há um quê de auto-preservação nessas atitudes destrutivas - destrutivas aos olhos do resto do mundo abobalhado consumidor de mtv e twitter do eike batista - que provoca em mim uma esperança, e confesso do fundo do vórtice: uma das poucas que tenho. esperança não em uma salvação ou rendenção através do "mau-exemplo", mas sim uma esperança que mostra que não se precisa ser pasteurizado para viver num planeta que se auto-consome sem amanhã. não digo que há uma juventude em todos, não só porque desde 1922 acho esse termo ruim, mas há na verdade um - peço perdão de antemão pelo uso do termo já destroçado pelos imbecis acadêmicos - contra espaço que tende ter e gerar pessoas como rollins, como lemmy, como peréio e etc. contra espaço ainda que difuso, confuso e menos em rede do que se imagina, diga-se de passagem. não se desenha aqui a elegia à vitória dos lewis skolnick da misantropia ou gregorys house da vida real, mas sim uma constatação que há outras formas para além das ensinadas. que em um momento podemos ser muito menos do que os outros esperam e ainda sim continuarmos nossas vidas esquecendo o bullying mecanicamente programado para nos uniformizar.

estar fora da caixinha não é motivo de orgulho. não há aqui um recrutamento para o fracasso, mas apenas uma constatação que a verdade é a maior mentira que existe. não leve esse discurso como se fosse um manifesto hipster ou outsider, porque é justamente o contrário. não há um encaixe disforme, mas um encaixe diferente, um não-encaixe. não são indivíduos ou grupos tentando remar contra a corrente, mas sim pegando outra onda, que não urge de ser compartilhada e muito menos é proibitiva a haoles que discordam com as remadas estranhas. há esse pequeno lapso, uns dirão falha, na estrutura de um mundo que não é programado, ou programada, para justamente parecer errado, mas apenas diferente, que por mais que alguns se incluam fora do mar quarternário - incluindo este aqui - ainda nos surpreendemos como se nunca tivessemos sido lembrados, apesar de sempre termos existido. repito, tal constatação não é mais um passo à esquerda ou à noroeste de qualquer posição política, ideológica, econômica ou o que seja. não é mais uma bandeira hasteada, mas a ausência de uma bandeira. ainda que se tenha princípios, mesmo que não validados ou outorgados, eles não são contra-princípios e não fazem parte de uma dualidade ou que quer que tentem explicar.

quando lemmy, rollins, peréio, hitchens e outros exemplos chegam à idade que tem apesar dos pesares, há ainda espaço para todos e mais que isso, há um espaço para cada. apesar dos pesares. essa, digo mais uma vez, não é uma lição a ser aprendida e muitos menos uma vitória em embate algum, são apenas lembranças do que uma parte do mundo nós somos, porque ninguém aqui está competindo.

pode ser que eu esteja errado, mas nunca estaremos certos.

domingo, 12 de dezembro de 2010

...

Uma prosa tropical,

aqui não se proclama.

Um marca desigual,

Três parágrafos de chama.

Uma linha-mestra

Onde não-linha nenhuma,

seja a mais incorreta.

Linha, sim, alguma.

Uma harpa cheia,

aumentada em dez vezes,

um lugar nos meses,

as várias certezas.

Mas ouço. E, ao ouvir, distraio

O barulho dos fogos

(ou cardume de raios?)

Não, verão, estamos mortos.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

bravo século novo

seria antropológico se não fosse trágico, mas viver nos nossos tempos, e espaços, e não sentir que estão duvidando veementemente de sua capacidade mental é pedir financiamento para a santa sé em busca de compreensão samaritana. muitos dirão que são os tempos, a inevitável marcha dos gostos, a vontade soberana do indivíduo, as iniciativas pessoais e etc. mas eu vou chamar de pála. é isso que são os nossos anos 10 do nosso benfazejo século XXI. a década da pála. me desculpe se você que lê está contido em um desses conjuntos mas é isso. amigo, tu tá dando pála.

de alguma forma, todos querem estar sendo vistos. orkut, twitter, facebook, vimeo, youtube. de alguma forma não se pode mais passar sem ser notado. mas qual o problema? o problema é que para ser notado precisa-se realizar alguns feitos. porém de acordo com o nosso padrão de início de século, o nível é bem raso. intelectualmente, financeiramente, socialmente, ou o que mais quer que sejamente. presenciamos diariamente o sub-celebridadismo, ou o alpinismo social dos anos já passados. só que o alpinismo social levava tempo, e aqui não faço o elogio aos escaladores de k2 vestidos de paetês como aos nosso babacas de outrora. as nanas gouveias e lumas de oliveiras de nossas infâncias demoraram alguns anos para se tornarem o bolo disforme que são hoje. lembremos até da xuxa, até pra ela não foi fácil apagar o passado. hoje poucos lembram do homem de três corações e de seus amores estranhos amores. pode ser que entre os que praticam o trolling - outra categoria olímpica de nossos tempos - há essa lembrança de passado negro, mas no mass media não. onde rola grana não rola história. e nesse mar bravio não há bóias para a crítica. mas aqui façamos um exercício excêntrico.

quando eu era mais moleque sonhava em sair de noite e chegar de manhã em casa. bêbado. bem, bêbado não, essa vontade veio depois e de certa forma ainda existe. mas aproveitar a noite sempre foi uma vontade, e ainda é, de todo homo sapiens na puberdade. mas não sei por que o meu filtro crítico não diluiu com o álcool. não sei se foi a tardia entrada no mundo da drogas e na igualmente rápida saída delas, mas algo sempre me intrigou e de certo modo me incomodou ao vagar pela noite. vamos lá, bebo ainda, com vontade e não com sofregidão como muitos por aí fazem - trocando a hora de durmir por um nome em "lista amiga" da festa que bombará no próximo fim de semana - para serem vistos como o doidão ou doidona da turma. fumei maconha, sim, fumei, mas a idéia de dar uma simples tragada e virar um vegetal que não interage por 2 horas me fez abandonar o proto-vício. há também alguma sofreguidão para aqueles que se escondem atrás de portas de banheiro e de muros mijados para efetuarem o supra-culto carburativo da imoralidade juvenil. de certa forma não condeno mais uma vez os deflagrantes, já que por leis opulosas não podem exercer seus atos de fé. porém não deixo de achar estúpida a idéia de se sentir trasngressor de algo quando o orgulho desaba na primeira dura. e essa arte bossal de estragar o corpo para feitos de micro-mitologia da patota é igualmente infantil como a reconstrução de um hímem para o carnaval. é mais ou menos como um copo que quebra e ninguém sabia que ele podia quebrar.

das tristes moças que hoje rebolam em programas de tv às pseudo- alternativas que se exibem em twitcams, possuem todas o mesmo fim e mesma razão. e claro, imbuídas de conteúdos débeis. não se condena aqui ou se aplicam penitências, mas vamos lá, escutem um pouco de críticas. tudo bem se vocês querem estar com os mais novos artilheiros da rodada da próxima quarta, mas lembrem-se que das páginas sociais para as policiais é um milimétrico passo. e não é pelos acontecimentos extremos dos últimos tempos que digo isso, mas já todos vimos o filme antes. sem pensão, sem glamour, sem uns dentes. as musas de álbuns de flickr vão pelo mesmo caminho. meninas, não é a primeira vez e nem a última que alguém faz um "ensaio sensual" dark-alternative-smoking-cigarettes. sejam razoáveis. se querem fazer sexo com seus namorados tudo bem, mas não insinuem que todos querem ver isso. nós somos vouyers por vontade própria e não por memes. se querem pegar "minas" na balada o façam por que gostam e não para aparecem no site de fotos descoladas do seu colega gay tatuado da PUC ou daFAAP. é sabido tudo isso. é efêmero, curto e passageiro até o motorista que conduz esse ônibus "mutcho crazy". mas pobres coitadas elas são ao acharem que todos concordam e aplaudem seus atos.

assim como as bandas que "tocam" "roque" e se vestem iguais. como não sou juiz de direito e nem quero o ser, não condeno o estilo, já que música é parte de uma cultura, e toda cultura tem seus ritos. mas quando os ritos se transformam em risos, há de ter alguém que possa dar aquele toque maneiro e dizer "camarada, você já se olhou no espelho?". a mesma crítica que vale para a vestimenta vale para a música. ok, vocês fazem meninas de 14 anos de classe média que xingam suas famílias na hora da janta chorarem em seus shows, mas querer um prêmio por usar auto-tune é uma brincadeira de mal gosto, e severamente pior do que o playback das divas teens do começo de vosso mesmo século. tudo bem, são o minutos de fama de vocês. aproveitem é lógico. mas tudo isso será passageiro e quando vocês crescerem em uns 3 ou 4 anos se odiarão. apesar do dinheiro que poderiam ter ganho, já que o empresário/produtor/twitteiro que descobriu vocês ficou com 80% de tudo, apenas irão se contentar em ter descabaçado algumas pobres meninas do interior de são paulo.

as novas m(ed)usas do cancioneiro popular da classe média urbana também fazem parte do bolo solado que é nossa admirável nova época. meninas(?), sei que vocês querem expressar seus sentimentos, mas aqui peço que façam de uma forma inteligível e não por sílabas inventadas na hora final de mixagens ou em lapsos de criatividade. são músicas bem cantadas e bem arranjadas, dou o braço a torcer quanto a isso, mas não insultem a inteligência de quem infelizmente perpassa por suas músicas no rádio. se forem criar novas línguas para comunicarem suas angústias, somente as usem entre vocês mesmas, em suas coberturas no posto 8 e viagens para o marrocos. e também aprendam a plagiarem menos umas às outras não só nas músicas, mas também nas atitudes. se vocês desgostam de algo por pura e simples vontade de aparecer, saibam que há um longo caminho para que alguém as defenda e não as ridicularize em notas de colunistas bigodudos mal resolvidos.

é sabido que para sempre irão crescer os famosos da hora - ou dos tópicos da hora. as meninas do mais novo vídeo. as mulheres-adjetivos. os mais novos grupos de "rock". as cantoras de mpb que dão em árvores e assim sucessivamente. não tenho nada contra quem pratica tais esdrúxulos ofícios, mas também não encorajo o ato imbecil gritando para os suicidas da dignidade se jogarem do alto das "hashtags". sei que existem e nunca vão deixar de existir essas formas baratas de exposição, mas não bato palma a cada novo F5 de manchete de jornal. me parece que ao avançarmos estamos regredindo. aos anos 80 quem sabe. são estranhas as semelhanças que infelizmente se fazem aparecer. bandas de calça apertadas, maquiadas e com músicas grudentas. mulheres sendo fotografadas e se expondo sem pudor - e aqui não condeno militarmente a vontade de se exporem, mas a razão pueril pela qual as fazem - e torcendo por isso. um exército de zumbis consumidores de brizola que vagam pela noite bebendo vodka paraguaia achando que é absolut e musas de rádios de seguradoras que dão pitis em prêmios de música de operadoras de celular. mas aqui devo lembrar-los: ninguém quando bebe, pára e pensa na ressaca. se esquecem de que um dia irão todos virar cacos de respeito humano, engrenagems falidas de uma sociedade de consumo que requer reciclagem em suas linhas de entretenimento. e isso rapaziada ,é só um toque maneiro, leve e jocoso.

pode ser que eu esteja errado, mas continuo a guerra contra estupidez.