sexta-feira, 4 de junho de 2010

free at charge?

eu costumo diariamente visitar esses blogs engraçados. aqueles com montagens de cachorros, gráficos engraçados, piadas de humor negro, animações em flash absurdas, informações esdrúxulas e etc. mas atrás do véu da risada, há algo de podre na "blogosfera". são todos muito ácidos, porém críticos. muito engraçados, porém informativos. são todos querendo ser o próximo kibeloco. posts atrás de post, os "blogueiros" estão doidos para entrarem em uma agência do nizan ou serem roteiristas de algum programa da globo. todos querendo ser tudo que o kibeloco atingiu, e diga-se de passagem, kibeloco que eu parei de visistar há mais de um ano, motivado pela falta de tato e o humor de mão-única do autor - leia-se flamenguismo e apontamentos direitóides. mas ele tem o direito de postar o que quiser e eu tenho o direito de não visitar quando der na telha.

os funestos caminhos por quais caminham os blogs .com.br não são aqui o principal alvo da crítica. o maior problema deles para mim não é a receita gerada ou os sonhos megalomaníacos de seus donos, mas os meios para realizarem suas contas e cargos. o meu problema com esses blogs que eu visito diariamente é justamente a atualização deles - ou melhor, a falta - e a repetição de conteúdo, aquele famoso "via blog do cicrano". ora, porque eu deveria reclamar de atualização? justo eu que em um ano e meio de blog atualizo a cada solstício? bom, ninguém aqui vê uma publicidade do google ou muito menos um banner do submarino. daí ninguém pode me cobrar, se é que alguém lê isso aqui. porém me irrito profundamente quando esses caras que ganham dinheiro a cada visita reclamam quando seus visitantes cobram por atualizações ou no mínimo pedem para não copiarem as mesmas coisas de outros blogs. porque a partir do momento em que você ganha dinheiro com o seu site e o seu fluxo de caixa depende dos visitantes dele, você tem que "agradar ao consumidor". e isso depende inteiramente de como você maneja o seu blog. na maioria dos casos as pessoas não querem uma promoção da gilette ou saber o novo sabor de tang. apenas querem rir. e a sua nova fonte de renda tem impedido isso.

não repito aqui um discurso de reclamador de procon, mas preciso a todo momento achar um sentido em ser alvo de campanhas publicitárias enquanto vejo de graça - bem, nem tão de graça assim - montagens de cachorros com drogas. e a contrapartida disso, uma vez que enquanto dou meus cliques, a conta de paypal do garotão que traveste comercial da kibon em informação de utilidade pública só aumenta. não peço aqui transparência aos afortunados donos de blogs que geram receita, mas peço coerência com o seu "público-alvo", nós os visitantes e "consumidores" dos seus posts, que ainda que sejam extremamente engraçados servem para pagar o aluguel dos bons apartamentos de vocês, os nossos novos web-publicitários.

pode ser que eu esteja errado, mas blog é um diário. e quando você abre e cobra para lerem o seu, é bom que você escreva bem.

domingo, 30 de maio de 2010

cock the vote.

ano de eleições. mais um. e não vai ser o último. e daí saem as piores e melhores conclusões acerca do litígio. votar em quem, porque votar, votar pra que? como anarquista, não acredito em eleições e nunca votei. desde os 16 anos. não sou patriota, não quero um governo bom, não confio em políticos, não quero escolher o futuro do país. mas acho interessante, e no mínimo antropológico, como a "corrida presidencial" é feita.

"concorrendo" - nada me afasta da absurda imagem de um ringue quando escrevo isso- de um lado o time do pessoal do estupra, mas não mata, e sabe que se puder esconder o estupro e trazer o estuprado pra ser cabo eleitoral vai estar seguindo a risca o planejamento. do outro lado o pessoal do estupra, mata, queima, e estupra de novo, que não negam nem afirmam terem matado, mas teêm como estratégia básica meter o dedo na cara e dizer que são os outros que estupram e matam, não eles. e no lado mais fraco, o pessoal do nunca estupramos, mas sabemos seduzir bem, que tem os enfadonhos "defensores" da democracia como suporte, mas assim que um dos outros dois lados ganhar - ou voltarem estuprar, como preferir - vão procurar os carguinhos - ou as bundinhas, como preferir - que sobrarem.

essa tragicomédia da vida pública, a via-crucis da democracia burguesa, é cretinamente - e porque seria diferente? - argumentada e dirigida pelos meios de comunicação, e óbvia e ululantemente pelos donos dos mesmo. no ar a grande "luta-de-classes". entre a veja dos chiliquentos e a carta capital dos sensitivos. os primeiros que trocaram o cinismo - uma vez inteligente - pela grosseria animalesca bancada pelos mecenas da opus dei, e os últimos pararam de procurar a corrupção para se fazerem de esquecidos e defensores do desenvolvimento do país quando não mais querem largar o dinheiro das estatais.

entre acordos de paz, entrevistas de rádios, comícios para o povo e reuniões com empresários a tal coisa da eleição vai desenvolvendo o seu manto funesto. e você que acredita em estado, governo e políticos, continua assistindo. até porque o big brother 11 só começa em março.

pode ser que eu esteja errado, mas pra mim eleição é pirão que empelota de propósito.

domingo, 4 de abril de 2010

livros.

às vezes lendo tenho uma relação de amor e ódio com os meus autores favoritos. e essa semana não foi diferente. depois de ficar lendo e relendo albert camus por um mês, compro um livro do herman hesse. "narciso e goldmund". fazia tempo que eu tava pra ler esse livro. mas como já disse, ele sempre me começa aborrecendo. e ele me aborrece desde o "lobo da estepe".

não vou contar o livro todo, mas o começo me é irritante por demais. terminei ele meio exausto mas gostei do livro. é chato no começo porque realmente mostra a histeria religiosa de goldmund, um dos personagens principais. e é bem escrito porque eu fiquei com muita raiva disso. o cara desmaia uma hora de nervoso porque achar que cometeu o maior dos pecados e quer morrer. eu quase fechei o livro de tanta raiva, mas esperei uma meia hora e refleti que era apenas ficção. e a reviravolta é sensacional.

e bons livros são feitos de contradições entre quem escreveu e quem lê . não dá pra ter um livro perfeito. e muito menos um livro que você não torça a cara entre uma virada de página e outra. nem aqueles que você escreve mentalmente.

pode ser que eu esteja errado, mas alguns livros ruins são bons.

sábado, 20 de março de 2010

o imperrador

pode pensar o que quiser. que sou alvinegro, que não gosto de flamenguista, que não tenho um jogador como ele no meu time, que sou recalcado. pense qualquer coisa. mas, o adriano representa tudo o que está de errado no futebol. a grande verdade é essa. não há como negar que é essa.

o adriano representa o futebol moderno, o futebol da máscara, o futebol bruto, o futebol da força. o futebol da imbecilidade. e imbecilidade coroada, que fique bem frisado. o futebol dos jogadores troculentos que em nada lembra um esporte bem jogado. representa o futebol dos privilégios, o futebol sem pé algum no chão. o futebol que forma batalhões de descerebrados. robinhos, neymares, adrianos, ronaldinhos gaúchos.

o futebol que há muito tempo acaba com a alegria de ver futebol e mais que isso, se faz sintese do anti-espetáculo. enterra de vez os ídolos que anos atrás elegemos. consegue ser frio, calculista e passar a noção que tudo se faz por dinheiro e não pelo gol. é o futebol protegido, blindado, omisso. futebol com salários estratosféricos e jogo emperrado. até que o povo decida que esse não é futebol de verdade, será tarde demais. ele estará nas galerias de museus e em parcas memórias de muitos poucos.

pode ser que eu esteja errado, mas o futebol de adriano é morto.

domingo, 14 de março de 2010

Indyotas

já se começa errado quando se considera esporte uma pessoa dirigir a 300 km/h entre duas banheiras de combústivel sólido. e ainda mais errado quando se quer mostrar que isso é a grande atração de domingo do ano. em um ano que mal começa e num dia que mal se quer que acabe.

mas temos que agradecer à rede bandeirantes por dedicar durante toda semana(e também nas anteriores) metade da duração do seu "tele-jornal" mais importante contando mentiras e simulando a realidade para dentro de nossas imbecis mentes. já que nós não temos nada mais a fazer do que reverenciar a alta tecnologia das corridas e não temos tempo para pensar na crise energética que está por vir. crise que é fruto da nossa emoção por velocidade.

não beirou ao ridículo, foi muito mais do que isso, apenas se caiu no eterno precipício da ignorância e da irrealidade cotidianas, onde nos enfiam pela garganta as melhores verdades e mais "interessantes" programações da tv mundial. mas esqueça, é a sp indy 300, a maior corrida de automobilismo que você vai ver.

pode ser que eu esteja errado, mas ricardo boechat não passa de um fantoche.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

perdidos.

essa última temporada de lost começou. e eu nunca vi nenhum episódio. nunca me interessei nem um pouco. todo mundo fala que é bom. mas que tem que ver tudo do início. todo mundo fala que é bem bolado. mas demora pra entender. todo mundo diz que, tirando "Friends", é a melhor série que já viu. e julgando pelo fato da enrolação ser a al(r)ma do negócio eu não tenho saco nenhum para ver.

tenho visto milhares de chamadas para comunidade, fóruns, sites, listas de e-mail, blogs e até grupos de discussão psicanalíticos dessa maldita série. pode me chamar de chato, mas já deu pra mim. bem antes de ter começado. é uma histeria coletiva a cada episódio e temporada novos. porque as pessoas não sussegam e assistem pro si só? tem que fazer esse estardalhaço todo?

e o pior é que essa merda vai acabar em pouco tempo. aí eu quero ver o que vagabundo vai arrumar pra fazer.

pode ser que eu esteja errado, mas essa neurose juvenil é coisa de órfão de caverna do dragão. que também era outra merda.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

na alemanha nazista.

às vezes eu tenho a impressão de estar sempre ao contrário de tudo. de ser do contra. de gostar do que ninguém gosta e abominar o que todo mundo curte. eu me sinto como se tivesse na alemanha nazista no começo do 3º reich e dizendo a todos: isso não tá certo. e o pior, é que todo mundo acha que eu sou o maluco.

um estranho numa terra oca. torcer pro time que nenhuma das pessoas acredita e acreditar nas coisas que nenhum time de pessoas torce. não me curvar para a maioria. tomar as minhas próprias decisões. raciocinar bem mais do que a maioria. não fingir que nada acontece. ou que nada aconteceu. e que nada vai acontecer de novo.

e estar errado o tempo todo não me faz mudar de idéia. a ideia de resignar e aceitar não é de forma alguma uma opção para mim. bem, há certos casos de se resignar. mas não por cansaço, mas pela força dos fatos. mas não lavo minhas mãos como pôncio pilatos.

pode ser que eu esteja errado mas um dia vão dizer que eu tava certo.